Pfizer espera que “muitos milhões” de doses de vacina cheguem por semana ao Brasil

Marta Díez, presidente da Pfizer no Brasil, fala em webinar da Aberje e do King’s College de Londres — Foto: Reprodução/YouTube

A presidente da Pfizer no Brasil, Marta Díez, disse nesta sexta-feira que a farmacêutica planeja produzir até 3 bilhões de doses da vacina contra covid-19 ainda este ano. Em painel online organizado pelo King’s College de Londres e a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), ela reforçou que, enquanto durar a emergência, a estratégia da companhia será fornecer somente para governos centrais, o que independe da legislação e suas eventuais modificações.

“Este ano pensamos em produzir entre 2 bilhões e 3 bilhões de vacinas. Em 2021, começamos falando em 1,2 bilhão de doses, mas esse número aumentou porque aumentamos a capacidade de produção e fizemos alianças com outras companhias”, disse Díez.

Para o Brasil, especificamente, Díez afirmou que a entrega de 100 milhões de vacinas até o fim de setembro, como previsto em contrato assinado com o governo federal, vai exigir entregas semanais de alguns milhões de doses.

“Ontem chegou o primeiro milhão [de doses para o Brasil]. A expectativa é chegar muitos milhões por semana. Vacinas que não só têm de chegar, mas serem distribuídas”, disse ela lembrando que o Brasil tem “sorte” pelo tamanho e capilaridade de seu Plano Nacional de Imunização, “capaz de distribuir anualmente 300 milhões de doses contra outras enfermidades em todo o território”, disse Marta Díez.

A presidente da Pfizer disse que a estratégia, no Brasil e no mundo, permanece vender somente aos governos federais, por ser a melhor estratégia sanitária para conter a doença. Ela descartou, por ora, a venda para a iniciativa privada ou para Estados e municípios e disse que a decisão independe de adaptações da legislação.

Só quando controlada a pandemia, disse ela, a estratégia comercial da Pfizer poderá variar. “O Brasil tem uma legislação segundo a qual a companhia não pode vender ao mercado privado até que todos os grupos de risco estejam imunizados. Depois seria possível vender ao setor privado. Mas outros países não têm essa restrição e lá a estratégia é a mesma. É mais uma lógica sanitária do que legislativa”, disse.

Ela afirmou que ainda é cedo para fazer previsões para 2022, mas que há capacidade de ampliar o número de doses a serem produzidas pela Pfizer para contemplar todos os cerca de 60 países com os quais a companhia mantém contratos.

Mais do que capacidade de ampliar a produção, a maior preocupação para o ano que vem é com a identificação de novas variantes do vírus e a verificação sobre a eficácia da vacina contra essas mutações.

Nesse sentido, ela afirmou que as atenções da Pfizer estão voltadas para as variantes indianas, após a conclusão de estudos sobre o funcionamento da vacina ante as novas versões britânica, brasileira e sul-africana.

Fonte: Valor Econômico

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