CGU detecta sobrepreço em contrato firmado na gestão de Carlos Eduardo

Controladoria Geral da União (CGU) detectou um sobrepreço na compra de alimentação para as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Natal. De acordo com a análise, a Secretaria Municipal de Saúde pagou em 2014, ainda durante a gestão do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (2013-2018), R$ 2,4 milhões acima do valor de mercado.

O relatório da CGU exige providências de regularização por parte dos gestores federais. O documento foi encaminhado para o Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério da Saúde, para que se tomem as medidas administrativas, cíveis e, caso seja necessário, penais.

A análise da CGU ocorre em razão de que o dinheiro gasto para o contrato foi oriundo de um repasse feito pelo Ministério da Saúde para a Prefeitura do Natal. De acordo com o relatório, por intermédio do pregão 20.081/2014, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal contratou a empresa Refine Refeições Industriais Especiais Ltda. para fornecimento de refeições prontas para as Unidades de Pronto Atendimento da capital. O valor do contrato foi de R$ 6.059.500 para a compra de 610 mil refeições, mas a mesma quantidade de alimento poderia ser adquirida com R$ 3.628.200.

Segundo a CGU, o cálculo do sobrepreço foi analisado a partir da comparação com o pregão eletrônico nº 001/2014, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), que realizou uma compra semelhante para alimentação de alunos e servidores. Somente com a compra 140 mil refeições para o jantar, o IFRN gastou R$ 956 mil, enquanto que, para a mesma quantidade de refeições, a SMS gastou R$ 1,999 milhão, o que representa uma diferença de 109%.

Para a Controladoria, a licitação se ancorou “como base para definição dos preços de mercado numa planilha viciada”.

Ainda de acordo com o relatório, a SMS não realizou análise sobre o quantitativo necessário para atender o número de profissionais e pacientes que seriam beneficiários para cada uma das refeições, bem como horários e unidades a serem atendidas.

Além da questão do sobrepreço, a CGU avaliou que a prefeitura não puniu uma das empresas que participaram da disputa. Segundo a análise, a empresa P. J. Refeições Coletivas Ltda. EPP apresentou sua desistência do certame, após alegar suposta exaustão da sua capacidade de produção. A desistência foi prontamente acatada e não houve qualquer procedimento administrativo com vistas à apuração da veracidade das informações.

Entretanto, em 2015, a mesma empresa venceu uma licitação para o fornecimento de refeições para o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE).  “O que se leva a concluir que a empresa prestou informação falsa e fraudou o certame 20.081/2014 [em Natal] quando alegou não poder honrar com a contratação por estar no máximo de sua capacidade operacional”.

Na avaliação da Controladoria, a empresa teve a função de “puxador de corrida” ao longo da licitação. “Aqui eles não ditam o ritmo da corrida, mas o dos preços, ora para cima ou ora para baixo”, traz o relatório.

Procurada pela reportagem do Agora RN, a Secretaria Municipal de Saúde não se manifestou sobre o caso.

Fonte: Agora RN

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